Terça-feira, Setembro 9, 2008

Importância e significado cultural da casa gandaresa


Na nossa região consolidaram-se dois tipos distintos de habitação, o palheiro e a casa gandaresa.

O palheiro em Mira atingia dimenões assinaláveis, diminuindo de escala mais a sul, como na Tocha, diferença que também se assinala nos tipos de casas dos lavradores. No que respeita a estas últimas, afirmaram-se dois modelos, a casa de Mira e a casa da Tocha. Trata-se com efeito dos dois grandes modelos, sobretudo porque a planta e as divisões da casa são diferentes, havendo no entanto muitos aspectos que as assemelham.

O modelo de casa de Mira domina numa área que vai sensivelmente do Rio Boco a norte, até à ribeira da Fervença. Para sul, a partir das Cochadas e Caniceira domina o modelo de casa da Tocha, sendo o corte e mudança muito nítida entre  a Ermida e a Caniceira.

A Península ibérica teve a sorte de receber tecnologias de terra por vários canais, sendo dois deles mais importantes: do norte pelos romanos e do sul pelos árabes. Por seu lado Portugal e Espanha exportaram essas tecologias nomeadamente para a América e para África.

A construção em terra tem vantagens a nível económico, energético, ecológico, social, cultural, e ainda a nível prático e técnico.

O modelo da casa gandaresa levou cinco séculos a amadurecer e a apurar-se, sem interferências de outras culturas que o descaracterizassem, salvo as influências de tradição mourisca e a incorporação de elementos renascentistas, que lhe acrescentou encanto e elegância. Deixando adivinhar a vida sóbria e serena do campo é ela fruto duma sólida sabedoria, conformada em sucessivas gerações, e duma relação harmónica e feliz com a paisagem e os elementos.

A casa gandaresa encontra remota filiação na casa árabe ou mourisca. À arquitectura do granito, que se desenvolve em altura, o sul contrapõe um espaço térreo, organizado em planta centrada, aberto para o interior, recorrendo a alvenarias  de terra crua e cozida. É portanto uma casa-pátio, de nítida filiação árabe, cujos materiais originários seriam o adobe, a telha caleira e a madeira de pinho. Parece haver, no entanto, no pátio gandarês, um remoto eco dos espaços interiores romanos, sobretudo da casa rural romana, e que se viram revividos nos claustros românicos de grande número de conventos.

Revitalizar a construção em adobe, ou pelo menos em técnica mista de adobe e cimento, este nos pilares e vigas, traria não apenas o usufruto de espaços mais agradáveis mas também a vantagem economica do menor custo dos materiais utilizados.

A casa integra-se na paisagem e quase se funde com ela. Daí que passe muito despercebida. A casa é como quem a habita: humilde, serena, integrada, funcinal e feliz.

A construção em adobe, de tradição ancestral, produziu em si, em termos sociológicos, uma contradição aparentemente insanável. Se os nossos antepassados apreciavam a construção em terra pelo seu carácter confortável e quente, maternal e protector, puro e consonante com a terra a que se sentiam ligados, mais recentemente, as gentes, sobretudo as mais desprotegidas, sentem-se nela presas e envergonhadas, como num arcaismo que se lhes afigura obstáculo às aspirações sociais de consumo, ostentação e afirmação, em subserviência às imagens materiais do progresso moderno.

Passou-se então à destruição pura e simples das casas gandaresas e sua substituição por tipologias estrangeiras ou de proveniência duvidosa, em que escandaliza a absoluta transgressão da escala e uma enorme confusão tipológica. O esquecimento total da tradição acarretou o consequente adulteramento da paisagem povoada.

Um olhar mais atento para com este fascinante modo de habitar revela-nos um tesouro que se vai desvendando, mas que se sabe fugaz, pois, qual espécie em vias de extinção, dentro de anos não restará de pé um único exemplar, redundando em perda de memória e dum património colectivo que, pese embora a sua despojada aparência, guarda uma enorme riqueza que se vai dissipando.

Esperamos pois que, através dum empenhamento colectivo e convergente, se possam vir a preservar pelo menos os exemplares mais significativos dessa arquitectura tão serena, que transporta em si uma beleza intensamente discreta, e que, tal como a vida, é efémera e ternamente frágil.

 

Por Paulo Frade

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Modelo e Cruz Vermelha distribuem material por idosos


 

O hipermercado Modelo entregou à Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) seis cadeiras de rodas, cinco camas articuladas e três cadeiras de duche, para além de diversos andarilhos, canadianas e outro material destinado a seniores, no valor global de 3500 euros. O material, recolhido no âmbito da campanha de combate à exclusão social e isolamento dos mais idosos ‘Causa Maior’, desenvolvida pelo estabelecimento comercial, foi entregue à CVP que, em seguida, o distribuiu por vários idosos carenciados do município vaguense.

O filho de Octávia da Conceição, uma idosa de Santo André que sofre de Alzheimer, foi um dos presentes na entrega do material, que decorreu no passado dia 26 de Agosto. Na hora de receber uma cama articulada, orçada em 258 euros, Artur Jorge não escondeu a gratidão. «Muito obrigado. Para nós isto é muito importante porque a minha mãe passa o dia quase todo na cama. Nós não poderíamos comprar a cama articulada e a minha mãe precisa mesmo», disse.

 

Gabinete em Vagos

 

Durante a cerimónia, o presidente da delegação de Aveiro da CVP anunciou que aquela instituição pretende abrir no concelho um gabinete para apoiar, a nível social e de saúde, os mais desfavorecidos. Mário Silva, que disse haver encetado já as negociações com o presidente da autarquia, aguarda apenas que «a Câmara arranje um espaço para nos instalarmos». Segundo aquele responsável, actualmente, a delegação de Aveiro apoia 15 famílias vaguenses, um número que deverá «aumentar» quando estiverem «mais próximos».

Em resposta, a vereadora da acção social, Albina Rocha, confirmou que a autarquia está a envidar todos os esforços para «encontrar um local» adequado. «No mundo global em que vivemos, cada vez mais, só têm lugar os bons, esbeltos e perfeitos», daí a importância de criar «redes sociais que apoiem os que não correspondem a esse ideal e são votados ao abandono», disse. «Todos devemos ter a mesma consideração, respeito e solidariedade para com todos. A abertura de um gabinete em Vagos tem todo o interesse e serão recebidos de braços abertos. Faremos tudo para que integrem o Conselho Local de Acção Social e para que, localmente e em parceria, tentemos minimizar os problemas que existem a nível social», sublinhou.

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Unidade móvel parou em Ponte de Vagos e Boa Hora: Segurança Social divulga Complemento Solidário para Idosos


 

A divulgação do Complemento Solidário para Idosos (CSI), uma prestação monetária mensal do subsistema de solidariedade destinada a pessoas com baixos recursos, foi intensificada no passado dia 2, pelo Instituto da Segurança Social (ISS), com a passagem de uma unidade móvel pelas freguesias de Ponte de Vagos e Gafanha da Boa Hora. Os técnicos chegaram mais perto dos seniores, procurando diminuir os receios e dúvidas que muitos sentem e os leva a nem sequer requerer aquele benefício.

«Há muitas pessoas que nem sequer sabiam deste CSI, outras tinham receio de divulgar os seus rendimentos e dos filhos, com medo que lhes retirássemos direitos», explicou à nossa redacção Laurinda Oliveira, assistente administrativa especialista do ISS de Aveiro. «Nós não vamos retirar direitos a ninguém, mas precisamos de informações para analisar cada caso e saber se as pessoas que requisitaram podem realmente receber este complemento», tranquiliza a técnica. «Sabemos que muitas pessoas têm pensões baixas e muitas despesas com saúde e este CSI pode ser uma ajuda importante porque aumenta a sua qualidade de vida», acrescenta ainda, exortando os idosos a deslocarem-se aos serviços da Segurança Social com brevidade. «Este complemento pode ser pedido em qualquer altura, mas quanto mais tarde o fizerem, mais demoram a começar a receber».

Para além da prestação monetária, o CSI inclui benefícios adicionais nas despesas de saúde. Nos medicamentos o apoio será 50% do valor não comparticipado; nos óculos e lentes a ajuda pode chegar a 75% do total, até ao limite de 100 euros, por cada período de dois anos e, nas próteses dentárias removíveis, a participação financeira é de 75% da despesa na aquisição e reparação, até ao limite de 250 euros, por cada período de três anos. Pode ser requerido nos serviços de atendimento da Segurança Social ou Loja do Cidadão, para preencher o requerimento pelos idosos com idade igual ou superior a 65 anos e que possuam recursos inferiores a 4.800 euros em 2008.

 

Poucos idosos e sozinhos

 

Na passada semana, poucos foram os idosos que se deslocaram à unidade móvel para preencherem, com o auxílio dos funcionários da Segurança Social, os documentos necessários para requerer o complemento. Dos que compareceram, a grande maioria chegou sem qualquer companhia de familiares.

Albino Bastos, de 82 anos, residente em Carvalhais, foi um dos 13 idosos que se deslocaram, na manhã do passado dia 2, à unidade móvel do ISS estacionada em frente à junta de freguesia de Ponte de Vagos. «Vim porque os outros também vieram, eu nem sabia o significado disto», confessou a O PONTO. Para Albino, a vida não tem sido fácil. «Andei em África 15 anos, mas tive de deixar lá quase tudo e depois começar aqui na agricultura», contou. Actualmente, uma parte significativa da pequena reforma é gasta em medicamentos, mas essa não é a principal preocupação. «Gasto muito dinheiro em medicamentos, principalmente a minha esposa, mas a pensão chega para as despesas do dia-a-dia porque já estamos habituados a gastar pouco. O que eu queria era saber se tinha ajuda para uns óculos, porque a minha vista já falha muito», especificou.

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Alteração do Plano de Pormenor reajusta áreas na Zona Industrial


 

A alteração simplificada do Plano de Pormenor (PP) da Zona Industrial de vagos (ZIV), que esteve em fase de inquérito público até ao passado dia 25 de Agosto, foi aprovada na reunião pública do executivo municipal.

Com esta modificação foram «introduzidas algumas novas configurações, sobretudo ao nível da implantação de edifícios, em onze lotes», explicou a O PONTO Miguel Cordeiro, secretário-geral do Núcleo Empresarial de Vagos (NEVA). Algumas áreas, até agora afectas a equipamentos e rede viária, foram reconvertidas para espaços industriais. Também foram reformuladas as infra-estruturas de gás, incluída a ciclovia que circunda a zona industrial e contemplada a possibilidade de constituição de propriedade horizontal, mediante aval camarário. Enfim, a alteração simplificada permitiu anular uma via que havia sido delineada em 1997 e que ligaria a ZIV à A25. A estrada «deixou de fazer sentido» por não ter continuidade no município de Ílhavo, acrescentou, à margem da reunião camarária, o edil Rui Cruz.

O referido PP foi desenhado em 1993 e a última revisão (antes desta alteração simplificada) data de Maio de 2001. O documento necessitava, por isso, de ser reajustado às necessidades dos industriais e de permitir uma melhor rentabilização do espaço existente. «Decorridos mais de seis anos desde a última alteração, surgiram novas necessidades e novas estratégias que impõem ajustamentos», pode ler-se na memória descritiva e justificativa do documento, agora aprovado por unanimidade.

 

Falta de quórum justificada com urgência do plano

 

Segundo o Presidente da Câmara, o processo de alteração simplificada do plano «já estava atrasadíssimo», devido a alterações de leis e um primeiro parecer negativo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e seria urgente aprovar o documento. Por isso, e uma vez que a fase de inquérito público do PP da ZIV apenas terminou no dia 25 do mês passado, foi necessário adiar a reunião de Câmara pública de dia 22 para dia 28 de Agosto.

A forma encontrada foi recorrer ao expediente de falta de quórum. «Há perto de meia dúzia de empresas à espera das alterações do plano há quase um ano», o que representa «milhares ou mesmo milhões de euros de investimento na ZIV», explicou Rui Cruz, assegurando que a «falta de quórum é a única forma que a lei estipula para uma reunião pública que está fixada ser adiada». «Não queríamos ter de esperar mais um mês para levar o documento a nova reunião pública», acrescentou, assumindo que a falta de quórum do passado dia 22 (apenas compareceram três dos sete vereadores) «foi deliberadamente provocada, não houve qualquer desleixo». Finalmente, o edil pediu «desculpa» ao único membro da oposição, Manuel Frade (CDS/PP), que compareceu nos dois encontros, mas não manifestou qualquer desagrado perante a situação. Posição diferente é assumida pelas concelhias do CDS/PP e PS (ver rubrica da ‘pergunta às concelhias’ na página anterior).

 

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Sede dos Escuteiros da Ponte de Vagos: Do projecto para o terreno


 

Obra aguardada há muitos anos, a sede do Agrupamento de Escuteiros da Freguesia de Ponte de Vagos vai deixar, em breve, de ser um desejo ou um sonho para passar a ser uma realidade. Com o projecto pronto, foram já solicitados orçamentos a diversas empresas para que o início das obras tenha lugar nos terrenos já adquiridos. «O projecto é constituído por quatro casas de madeira e balneários, que estarão ligados por passadiços de madeira», explicou o secretário da Junta de Freguesia de Ponte de Vagos, entidade que, em conjunto com a Câmara de Vagos, está a apoiar os escuteiros na concretização desta obra. Localizados na estrada da Escola do 1º Ciclo, os terrenos adquiridos pela autarquia e Junta, que se situam próximo das habitações e de uns pinhais, têm cinco a seis mil metros quadrados. «Foram adquiridos a preços muito especiais, porque sabendo qual o seu destino, os proprietários facilitaram a venda», afiançou Jorge Neto, garantindo ser o local ideal para os membros do agrupamento poderem executar as suas actividades. «As casas serão de madeira, assentes em estacaria, e destinadas a cada um dos grupos: lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros», revelou, adiantando que, sendo amplas, o interior de cada casa será decorado pelos próprios elementos. Com um custo previsível na ordem dos 110 mil euros, estas quatro casas (uma das quais é com dimensões mais reduzidas) serão suportadas pela autarquia, que já atribuiu um subsídio no valor de 100 mil euros, e o restante pela Junta. «O muro e portão, já construídos, foram custeados pelo agrupamento, e a construção dos balneários e passadiços são, também, obras da responsabilidade dos escuteiros», disse, adiantando que a Junta apoiará no que for possível, «quer financeiramente, quer com mão-de-obra».

Pretende-se que as casas estejam prontas no final de Outubro ou início do mês de Novembro deste ano, e que os balneários estejam prontos até Fevereiro ou Março de 2009.

O Agrupamento de Escuteiros de Ponte de Vagos foi criado há 21 anos, sendo actualmente constituído por 120 pessoas. De acordo com o chefe do agrupamento Dario Farias, os diversos grupos promovem os seus encontros em casa dos chefes ou em salas cedidas pela Junta ou Paróquia.

 

Parque de lazer e desportivo vai nascer nas “Fêmeas”

 

A Junta de Freguesia de Ponte de Vagos foi ainda contemplada com um subsídio no valor de cem mil euros, atribuído pela Câmara Municipal. Esta verba destina-se à construção de um dos primeiros projectos prometidos pela equipa que actualmente lidera a Junta: trata-se de um parque que irá ter as componentes de lazer e desportiva. «A Junta de Freguesia, com a ajuda da autarquia, tem vindo, nos últimos anos, a adquirir terrenos nas “Fêmeas”, no lugar de Canto de Baixo, com vista à construção de um parque», explicou Jorge Neto. Este parque irá possuir um campo sintético de futebol de sete, um campo de basquetebol e ténis, balneários e bancada comuns aos dois campos, e na área de lazer uma zona relvada com um pequeno lago (aproveitando as duas valas hidráulicas que por ali passam), pistas pedonais, circuitos de manutenção e um parque infantil. «É uma obra orçada entre os 500 mil e os 600 mil euros, e a verba atribuída pela autarquia servirá para iniciarmos a preparação do terreno e construção das infra-estruturas básicas», adiantou. Este parque, a ser implantado numa área de 15 mil metros quadrados, deverá demorar três a quatro anos a ser construído mas, até final do actual mandato, o executivo pretende construir o parque de lazer e o campo de futebol. «O restante terá que, obrigatoriamente, por falta de meios financeiros, ficar para mais tarde», concluiu.

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Na Quinta do Ega: Parque da vila em construção


 

Os funcionários dos Serviços Operacionais da Câmara Municipal de Vagos procederam, ao longo da semana passada, à limpeza do terreno da Quinta do Ega, a nascente da zona relvada. Os trabalhos efectuados estão integrados no projecto de construção de um parque de lazer/desportivo que a edilidade tem vindo a anunciar. «Já efectuámos um primeiro desenho do parque no local, mas encontramo-nos de momento a adaptar o projecto às valências que pretendemos ali instalar», explicou à nossa redacção o vereador responsável. Segundo Fernando Capela, será na segunda quinzena deste mês que os Serviços Operacionais irão começar a proceder à instalação das redes de rega e de iluminação e «dali só sairão quando estiver concluído todo o parque». Ao que O PONTO apurou, o futuro «cartão de visita da vila» irá possuir zonas relvadas, com canteiros de flores e árvores (em princípio, de pequeno porte), para além de circuitos pedonais e de manutenção. «Não descuramos, por outro lado, a componente desportiva, pelo que a pista de Cross, onde já se realizaram alguns eventos de atletismo nos últimos anos, será mantida para competições ou práticas desportivas», explicou.

A autarquia prevê que esta fase da qualificação da Quinta do Ega esteja pronta «daqui por um ano».

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Cascadeurs vaguenses VS franceses: Nunca tente fazer isto… na rua


 

Impróprias para cardíacos: é assim que podem ser classificadas as manobras e acrobacias automóveis que os Cascadeurs Team JD (de Vagos) e Cascadeurs Internationaux (de França) proporcionaram na noite do último sábado e na tarde de domingo. Peões, andamento sobre duas rodas, acrobacias em cima do automóvel, cambalhotas e prova de fogo foram algumas das perícias demonstradas pelos seis pilotos e que levaram ao rubro os cerca de 1200 espectadores. Um número que esteve aquém das expectativas iniciais da organização: o Grecas em parceria com o Team JD. «As condições climatéricas obrigaram-nos a adiar o espectáculo de sábado à noite para a tarde de domingo, o que não nos deu tempo para publicitarmos a mudança de horário», justificou ao PONTO Arménio Julião, presidente da direcção do clube de atletismo de Santo António de Vagos.

Paulo Grave foi um dos cascadeurs presentes. Depois de ter dado uma “boleia” num carro em duas rodas à equipa de reportagem do PONTO, no tradicional “baptismo” promovido em quase todos os espectáculos, o piloto vaguense confirmou que «tudo correu pelo melhor». «As pessoas gostam muito de experimentar. Já chegámos, inclusivamente, a passear pessoas em duas rodas durante uma tarde», afirmou. Integrado no Team JD desde 1996, mas apenas nas acrobacias e cambalhotas, foi em Fevereiro deste ano, no Aveiro MotorShow, que começou a conduzir os carros. «Já percorremos um pouco todo o país e em Vagos há sempre um sentimento diferente, porque todos nos conhecem, uma vez que somos de cá e treinamos cá», disse Paulo Grave. Quando questionado das dificuldades na concretização deste show, admite que tem que existir muita concentração, já que é necessário controlar a viatura nos peões ou no andamento em duas rodas porque há público próximo. Para além do nível técnico, «a nível físico os pilotos têm que se concentrar na parte das cambalhotas, choques ou acrobacias, precisando mesmo de alguns momentos a sós», explicou.

De relembrar que este espectáculo já não se realizava no concelho de Vagos desde 2001.

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Este sábado: Quinta do Ega recebe In Ria Rocks


 

A Quinta do Ega foi, uma vez mais, o local escolhido para receber o Festival In Ria Rocks. Agendado para o próximo sábado (dia 13 de Setembro), o festival é promovido pela empresa Ophiusa com o alto patrocínio da Câmara de Vagos e tem por objectivo «promover a música alternativa e a vila de Vagos». «Temos, cada vez mais, assistido a uma evolução musical progressivamente mais distinta e ao mesmo tempo mais variada também, sendo que as misturas entre estilos musicais muito diversos surgem actualmente a uma velocidade criativa nunca antes vista», vincou Paulo Perdiz, garantindo que, com este festival, serão dados a conhecer novos estilos musicais, desde o rock ao punk e não esquecendo o heavy-metal. «Pretende-se, ainda, criar num mesmo espaço vários pólos de diversão e interesse, de forma a divulgar toda esta região», mencionou.

Com início previsto às 21 horas, pelo palco montado no relvado da Quinta do Ega, no centro da vila de Vagos, irão passar os Hyubris, Oblique Rain, Gwydion, Echidna e The Godiva. Esperando-se cerca de
300 a 400 pessoas, os interessados em adquirir bilhete no dia, na bilheteira, ou podem já reservá-lo através do mail info@rockinria.net. Cada bilhete custa cinco euros, sendo nove euros para duas pessoas e 16 euros para grupos de quatro. O PONTO tem uma entrada dupla (dois bilhetes) para oferecer à primeira pessoa que ligar para o número 914705014.

 

As bandas

 

Hyubris - Formada em 1998, a banda começou por ser conhecida por «Lupakajojo», as iniciais de Lulla, Panda, Kaiser, Jorge e João, que exploravam as sonoridades do heavy-metal. Acabaram por editar «Time for a Change». Com entrada de Filipa para a voz, em 2001, surgem os Hyubris, que introduzem um novo instrumento (a flauta) e começam a percorrer um novo caminho, quer ao nível musical, como estrutural. Em 2002 percorrem vários festivais nacionais e acabam por gravar «Desafio», uma demo-CD com quatro temas. No ano seguinte, e a convite de uma rádio nacional, a banda é apresentada como banda revelação na 1ª Gala Antena Livre – Cidade de Abrantes. Até final do ano, os concertos sucedem-se de norte a sul do país, e acontecem as primeiras participações em programas televisivos. Em Janeiro de 2004, a terra que os viu nascer distingue-os com um galardão na 5ª Gala de Cultura e Desporto da Freguesia de Tramagal, na categoria de música, como reconhecimento pelo trabalho efectuado.

 

Oblique Rain - O projecto nasceu no início de 2004, pelas mãos de Flávio Silva e César Teixeira, após passagens mais ou menos infrutíferas por outras bandas de garagem anónimas. Após uma primeira fase de adaptação e definição de rumos, iniciou-se o lento processo de composição do primeiro registo oficial dos Oblique Rain. Eles tinham o potencial e a criatividade para a missão, mas faltavam os parceiros que viriam a partilhar dos seus devaneios musicais e desta forma assumir o projecto como banda. Daniel Botelho (Baixo) e André Ribeiro (Guitarra) juntaram-se ao projecto em meados de 2006 e a empatia criada foi pura magia. Em Maio de 2007 dá-se a entrada nos Estúdios USS para gravação do seu primeiro álbum, produzido e misturado por Daniel Cardoso: «Isohyet». Caracteriza-se pela sua veia progressiva e genuinidade musical, aliadas a uma intensa e melancólica atmosfera.

 

Gwydion - Existente desde 1995, a banda durou numa primeira etapa até 1998, tendo se separado devido a divergências musicais entre membros da banda. Durante este periodo GWYDION gravou um demo-CD intitulado «A Debt to Morrighan», tendo tocado ao vivo várias vezes para promover este cd.

No fim de 1999 quatro dos elementos originais de GWYDION, (Ruben - voz, Vitor - guitarra, Miguel - bateria, Daniel - teclados), formaram uma nova banda chamada STORMCHILD. Dois novos elementos juntaram-se completando o alinhamento, Caveirinha - guitarra (Ex-Impurity, Ex - Invoke) e João BM - Baixo (Ex - Against Divine). Os Stormchild gravaram uma nova maquete chamada «First Channelling», em Julho de 2000, começando naquele momento uma nova série de concertos ao vivo no âmbito da promoção da maquete. Em Outubro de 2000 Miguel saiu da banda por razões pessoais e é substituída por Bruno na bateria formando um novo alinhamento. Depois de alguma reflexão por todos, decidimos mudar de nome da banda voltando ao original como sempre foi o desejo dos membros fundadores de GWYDION. A última demo da banda de Gaia intitula-se «Augmentation». De momento, a banda encontra-se a preparar o primeiro álbum.

 

Echidna - São um quinteto de Gaia praticante de um poderoso Death|Thrash metal. «Insidious Awakening» é o álbum de estreia, sendo constituído por nove temas gravados na Fábrica do Som, por Daniel Carvalho, e masterizado por Daniel Cardoso nos Ultra Sound Studios de Braga. O resultado é o melhor album Death|Thrash editado em 2008 em Portugal que não deixará de surpreender fans de uns Arch Enemy, Soilwork ou The Haunted. Artwork e concepção gráfica a cargo da ComaVisions. Um dos albuns obrigatórios em 2008 para quem um mínimo gosto por sonoridades mais agressivas.

 

The Godiva - Formada em 1999, esta banda do Porto passou por muitas mudanças a nível de formação. Actualmente é constituída por Pedro (voz), Arcélio (baixo), Sérgio (teclado), Pato (bateria), Chico (guitarra) e Ricardo (guitarra). Lançaram, em 2002, a sua primeira maquete oficial intitulada como «Traces of Irony», da qual constam temas como «Nightside eclipse», «Restless memory» e «Traces of irony». Actualmente tem em vista o lançamento de uma nova maquete de modo a mostrar o som praticado actualmente e consequentemente tentar arranjar uma possível editora.

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Dez anos de Maior Idade


 

A Câmara de Ílhavo deu, ontem, início a mais uma semana dedicada à Maior Idade. À semelhança das anteriores, esta décima edição pretende ser «um ponto de encontro de gente vivida, com espírito jovem e alegre» e sublinhar a aposta da autarquia ilhavense na «promoção de uma vida saudável para a população sénior». O presidente da Câmara falava ontem durante a abertura oficial das actividades. Para Ribau Esteves, dez anos volvidos, o balanço é claramente positivo: «a iniciativa era inovadora quando começamos e, ao longo destes anos, foi construindo muito sucesso», assegurou.

 

«Viver Solidário» até domingo

 

O programa, intitulado Maior Idade – «Viver Solidário», arrancou, ontem, com a inauguração de uma Feira/Exposição, que apresenta o trabalho de diversas associações e instituições, na praça central do Centro Cultural de Ílhavo (CCI). Este ano, pela primeira vez, o certame realiza-se ao ar livre, para que «o público conheça melhor o trabalho das associações e o acesso ser mais simples», reforçou o edil Ribau Esteves, para quem aquele é um sinal claro da «maturidade» da Idade Maior. Até quinta-feira, o recinto será animado sob temáticas diferentes: a ria, o mar e as tradições.

Do vasto programa, nota para a apresentação dos filmes «Gigi» (hoje às 15h30) e o musical «Amália» de Filipe
La Féria (quinta-feira pelas 15h30) no CCI.

Na noite de 6ª feira haverá um baile à moda antiga, com a orquestra Novo Espaço, no Mercado Municipal da Gafanha da Nazaré. Sábado, entre as 15h e as 17h30, o destaque vai para o «Encontro Avós e Netos», no Jardim 31 de Agosto e, às 21h30, a Revista à Portuguesa com o espectáculo «É Só Rir», a cargo de Octávio de Matos e Natália José, no Pavilhão Municipal Capitão Adriano Nordeste.

A semana encerra no domingo com uma missa campal às 11horas, piquenique (cada um traz o seu), actuação do grupo de concertinas e cantares ao desafio, jogos tradicionais e actuação do grupo «Espaço Convívio» da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré.

 

Viagens e revista completam animação

 

1612 ilhavenses com mais de 65 anos participam, este ano, nas quatro visitas/convívio promovidas pela Câmara Municipal, no âmbito do projecto Maior Idade. Hoje, os idosos partem para uma visita a Sortelha, Belmonte e Viseu; amanhã e quinta-feira terão a possibilidade de fazer um Cruzeiro de subida do rio Douro e sexta-feira o passeio atravessará a «Rota da Bairrada».

Os mais velhos contam, também, com mais um exemplar da revista municipal criada especialmente para eles. O 5º número da «Maior Idade – a cinco» foi ontem apresentado e distribuído à população. A publicação apresenta, neste número, entrevistas com três ilhavenses: João da Madalena, Irene Ribau Esteves e Alfredo Ferreira da Silva.

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Futebol de Rua: Obra Frei Gil representa Coimbra no Campeonato Nacional


 

Está marcado para o mês de Outubro a final do Campeonato Nacional de Futebol de Rua, para a qual está apurada a equipa da Obra do Frei Gil, da Praia de Mira. Representando o distrito de Coimbra pelo segundo ano consecutivo, esta é a terceira temporada em que a formação mirense participa nesta prova. «Não tínhamos, até então, nenhuma equipa organizada em qualquer modalidade», afirmou a O PONTO Gonçalo Mendes. De acordo com o director técnico da Instituição de Particularidade Social (IPSS), o Futebol de Rua prevê uma sucessão de torneios de forma a apurar, inicialmente, uma equipa por concelho, posteriormente uma equipa por distrito e, por fim, uma equipa a nível nacional. «Em Mira, como somos a única equipa que tem participado, passamos directamente à fase distrital, onde nos últimos dois anos temos conseguido marcar presença no campeonato nacional, após termos vencido a fase distrital», explicou.

Este ano irão deslocar-se ao município da Mealhada, local onde decorrem os jogos a nível nacional, com o objectivo de conseguir uma posição melhor que a obtida no ano passado: o sétimo lugar. «No entanto, mais que os resultados, o importante mesmo é o convívio, a participação e o praticar desporto», frisou Gonçalo Mendes, salientando que «também os outros rapazes da Obra Frei Gil apoiam muito os colegas e até se organizam em claque».

A equipa mirense é constituída por oito jogadores (dos quais dois são guarda-redes), que integram plantéis dos clubes do concelho de região. «O Campeonato de Futebol é esporádico, pelo que a grande maioria dos rapazes pratica desporto (futsal ou futebol 11) nos vários clubes de Mira e concelhos limítrofes», disse.

Também nos últimos dois anos, da equipa de Mira tem sido seleccionado um jogador para integrar na equipa da Selecção Nacional de Futebol de Rua. Depois de, no ano passado, ter sido escolhido o Ricardo (que pratica futsal no Clube Domus Nostra, em Portomar) para ir à Dinamarca, este ano o seleccionador nacional apostou
em Vítor Pires. Este jovem mirense irá deslocar-se, com o restante plantel da selecção, a Melborn, na Austrália. «Antes, deverá participar num estágio conjuntamente com os restantes elementos seleccionados - onde se incluem raparigas – para se conhecerem e treinarem juntos para o Campeonato Mundial», concluiu.

 

40 rapazes acolhidos na Praia de Mira

A Obra Frei Gil é uma IPSS de cariz religioso (católico) e sem fins lucrativos, fundada em 1942 por Frei Gil Alferes, ao ver a miséria estampada no rosto das crianças que deambulavam, na altura, pelas ruas. Começou por fundar a Obra da Criança Abandonada: «Não matem as crianças. Dêem-mas». Em Outubro de 1942 nasceu, efectivamente a obra, com três crianças recolhidas na Casa de Cervães, por ele apelidada de “Casa Mãe”. Estava lançada a obra que viria a desdobrar-se em 14 casas (com sede na Praia de Mira) em Portugal e Angola, num trabalho de promoção social e moral dos jovens, através do seu acolhimento e educação.

«Actualmente, a Obra conta com uma estrutura de cinco casas espalhadas pelo país: a da Praia de Mira (sede), duas no Porto, uma em Santa Maria da Feira e outra em Ourém», adiantou Gonçalo Mendes, acolhendo cerca de 150 crianças, das quais 40 encontram-se em Mira. «Trata-se de lares para rapazes, com excepção do “Berço”, em Santa Maria da Feira, que alberga meninos e meninas até ao final da idade escolar do 1º Ciclo, sendo, posteriormente – e caso se verifique ser necessário – transferidas para outras instituições (as meninas) ou para as nossas outras casas (meninos)», acrescentou.

A funcionar em regime de internato, a Obra do Frei Gil acolhe crianças até aos doze anos e por período prolongado, mediante a situação familiar persistir ou não. São entregues pelo Tribunal de Família e Menores ou Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em risco. «Na Obra do Frei Gil da Praia de Mira, o mais novo tem oito anos e o mais velho vinte», referiu o director técnico.

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